janeiro 31, 2005

Chuva na Areia



Eu canto a agonia de não te tocar
tu vives no segredo,
esse que paira na sombra dos teus olhos,
nem mesmo a luz do meu coração te move,
dou-te sonhos
que renascem em mim sempre que te vejo.
Tu não sentes o fogo azul que irradia dos meus olhos
para ti nada tenho,
com esta chuva na areia...
eu sinto que o fogo se extinguiu.


Pedro Afonso (Magic_Poet)
Em O Gesto do Vento

Nota: Para comprar o livro no link sobre o nome do mesmo.

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janeiro 30, 2005

não existo



não existo, não quero respirar...

morri no espasmo de mim.

sou pó de estrela morta e abandonada no recanto mais bolorento da minha memória húmida.

não seguro em minhas mãos o desejo de acordar, porque elas não são reais, nem possuem o calor da vida.

são pedaços de um fantasma enfadonho e vil, que persiste em deambular pela vida dos mortais.

parasita sem rumo nem virtude, desperdício de luz divina...

matei enfim esse espectro de sonhos desfeitos.

trespassei-o com a espada dolorosa da realidade,

selando assim o destino, com a minha inexistência...

Iris da Lua



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janeiro 29, 2005

Realidade



A uma estrela,
Estes meus devaneios.
Que comigo sentiu,
amou,
sofreu.

A um brilho,
Estes meus desabafos.
Que do outro lado
do meu horizonte
está.

À vida,
Estes meus sonhos.
Pela vida que me deu
e por me permitir
pela vida passar.

Ao amor,
Todas as minhas ilusões.
Porque é o amor,
a poesia dos sentidos.

Ao sonho.
Estes meus versos.
Onde tudo é possível
e onde não existem barreiras
nem fronteiras.

Ao tempo.
Todas as minhas frustrações.
Ele que não espera
nem pára.
Para que tenhamos tempo
de concretizar os nossos sonhos.
Que por vezes,
de sonhos não passam.

E para ti,
realidade,
apenas um desejo.
Que não abafes
nem apagues
e nem faças nunca sentir
que não é possível
concretizar os sonhos que sonhamos.
Porque deles precisamos.
Porque deles vivemos.
E alimentamos a nossa alma.


Rui Girão

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janeiro 28, 2005

Vi a Lua…e os verdadeiros Anjos



Vi a Lua…e os verdadeiros Anjos

Em sonhos,
No imaginário,
Sentada na minha lua de balanço
Divago pelo céu, planetas e estrelas,
Também sonhados e imaginados…
Penso nas Crianças que dormem ao frio,
Que choram sem a mão carinhosa
Do pai ou da mãe,
Que pedem desesperadamente comida
A tom de voz sofrida.

Mas penso
Vejo e revejo,
Constantemente,
A Criança que sorri de olhos tristes,
Grandes e abertos,
Revelando o sofrimento da alma pequenina…

Choro com todas estas Crianças…
Sofro com elas, porque nunca sofri assim…
Não sonho em ajuda-las,
Sonho em sê-las,
Para que mais nenhuma exista…
Para que nenhuma Criança cresça triste!

Os verdadeiros Anjos são as Crianças,
Os meninos e meninas que sofrem de deficiências
E nós, ditos normais
Tornamo-las ainda menos normais…
É triste mas é verdade!...
Arrancamos as asas da paz a Anjos
Caídos,

Seguimo-los com olhos inquisidores,
Investigando e apontando,
E tudo porquê?
Porque temos medo de tudo o que é diferente,
Porque ainda não percebemos que eles são
o nosso futuro longínquo!
-
E se um dia formos como as Crianças
e meninos deficientes,
Saberemos que somos Anjos…
E que os planetas e estrelas
Já não são sonhados…
São Vividos!
-
Não tirem as roupas de linho branco
ás Crianças!
Não lhes peçam as asas,
Porque ainda não sabemos voar…
Não ousem Matar, Denegrir ou Violar
As almas puras de quem o sabe fazer!
Os Anjos são o indício
de que um céu existe, e esta à nossa espera
Algures, enquanto caímos e crescemos
-
Para o causador
Da Dor das Crianças,
A punição divina de continuar a viver
Em ilusória perfeição…Falsos!!!
A lenta marcha na estrada da evolução
A sede do néctar da vida
E o cálice eternamente vazio…
Que os criminosos nunca vejam o Olimpo!


fim


Fada_0

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janeiro 27, 2005

VOZ SOBRE A PELE




De tanto amor inventar esqueci quanto me encanta
A louca voz que enfurece os meus sentidos.

De tanto amor inventar fiz do amor vã lembrança
Mas ouço no afago dessa voz a esperança
De infinitos sabores de pele inventada em gemidos.


RuiVic
12/11/04

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janeiro 26, 2005



Oh!

Que saudade.
Como queria ser criança
Correr ao vento
Sentir o sol a acariciar
A chuva a beijar...

A menina inocente
deu lugar à mulher
Sofrida
Desiludida

o sol queima
a chuva são lágrimas que não secam

Sonho com novos dias
De felicidade e de amor

Um raio de sol aparece por entre as lágrimas de chuva

quero aprisioná-lo

Mas aprisionar o amor será amar?
Deixo que ele chegue
Não cobro o calor ou a caricia
Ele toca
Aquece
E parte

Como tudo na vida
Nada me pertence


Soli__daria

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janeiro 25, 2005

VIAJO PELA NOITE FRIA





Viajo pela noite fria..
Procuro os cigarros
As folhas escrevinhadas…
As que estão manchadas.. de dor!
Viajo pela noite fria..
Procuro motivos para sorrir..
Um bar, uma bebida, um cigarro,
ou quem sabe um fado para ouvir!
Viajo pela noite fria..
E uma esquina.. faminta
Chora a perca duma mulher
Uma das mulheres da noite.. morreu
Com uma facada.. acabou-se a vida
Duma pobre mulher.. com sida!
Viajo pela noite fria..
As lágrimas chegam aos meus olhos..
Porque esta noite..
Uma mulher.. ganhou o Céu!
.
.

{{coral}}


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janeiro 24, 2005

...




Perdi-te

Como quem perde um olhar

No meio de uma multidão

O sabor amargo que os meus lábios transportam

Lembram-me, todos os segundos

Os outros segundos que meus lábios te provaram

Mas é impossível não te amar

Quando já moras em mim


Imortalidade



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janeiro 23, 2005

...

Neste mundo sem sentido

São os sorrisos que se guardam

Fechados a sete chaves

Para que a vida não se perca

Nos silêncios que uma alma abraça

Em medos cruéis de uma história

Pequena demais para quem chora


Imortalidade



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janeiro 22, 2005

POEMA SIMPLES



Meu poema...
É simples, é límpido é claro
Não tem metáforas, não usa recurso
Não tem reparo.
Meu poema segue o curso
De um rio...
Livre, manso,
Quase um descanso.
Não é feito pra vender,
Não disputa prêmio literário;
Não tem mentira, não tem engano;
Meu poema só tem um itinérario
E existe apenas para dizer
Que eu te amo!

Meu poema...
É silencioso, não grita, não tem lamento,
Não tem angústia, mágoa, nem dor.
Meu poema só é contentamento.
É meio pálido, sem cor
Tem cara lavada,
Não usa maquiagem.
Não tem sal, não tem tempero,
Não tem cheiro,
Mas é dócil, não faz chantagem.
Acaricia cada palavra usada
E depois a guarda num canto.
Cheia de espanto,
De surpresa,
Mas com um dever:
Não te deixar esquecer,
Que eu te amo!


Quisera

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janeiro 21, 2005

Sou um Madeiro...


Sou um madeiro de mil anos,
Jazida maciça dos tempos,
Da terra numa leva amotinado
Mas pinto de verde sons e rebentos.
Neste errático solo enterrado,
Sentinela das eras e dos momentos,
Guardião de casais amados,
Resguardo desses belos sentimentos.
Lânguido de amásias mariposas,
Balouço de todos os ventos...
Meu ventre de fábulas insidiosas,
Meu tronco tatuado de amantes cismados,
Gravados corações em rachas horrorosas,
À volta trevos e degredos enfileirados,
Animais trémulos e abelhas frondosas,
Sou a felicidade dos tempos herdados.
Sou um crepúsculo de raiz,
Acautelado de dosséis danos,
Na palidez do papel
Em sonhos me desfiz,
Sou um madeiro de mil anos.


Assin: Artur Rebelo

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janeiro 20, 2005




Ouvi um dia contar uma história
Sobre um velho e o seu netinho
O velho era um sábio sem destino
O neto uma criança sem memória.

Procurando algo que comer
Andavam de terra em terra
Fugindo de guerra em guerra
Para não ter de sofrer.

Eram pobres, mas felizes
Não tinham bens de perdição
Tinham os bens no coração
E cultivavam as raízes.

Um era o mestre, outro o aprendiz
Eram os dois uma família numerosa
Um tinha uma alma caridosa
O outro um sorriso feliz.

Nunca tristes os acharam
Sempre tinham o que oferecer
Sem a sua alma vender
E muitos lhes ofertavam.

Descalços de pés andavam
E trapos eram as suas roupas
Tinham coisas muito poucas
Mas sempre de bem estavam.

Um dia o velho morreu
E o rapaz só ficou
Nem por isso o sorriso se apagou
E continuou o caminho seu.

O que o rapaz contava
Muitos paravam para ouvir
Histórias de chorar e de rir
Coisas que a muitos confortava.

O rapaz lembrava sempre
O seu avô e seu mestre
Que sempre lhe era preste
E lhe fez crescer a mente.

E até a morte o chamar
Muitas vidas fez sorrir
Este rapaz que era o amar
Este velho que era o sentir.


aster

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Palavra maldita



Algures no tempo

Fui desejo de uma vida

Algures num espaço

Fui carne comida

Agora sou uma anónima

Para ti perdida

Mas para a memória

A história de uma vida


Ana de Castro



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janeiro 19, 2005

...



Naufraga em mim

Como se fosse possível

Tocar o mar do meu corpo

E deixa o teu barco encalhar

Nas terras quentes do meu querer

Em águas salgadas mergulha

De olhos fechados até à bruma

Ana de Castro



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...

Queria mergulhar no teu caudal de água doce

Lamber as gotas do teu beijo faminto

E decorar o sabor dos teus sentidos no meu corpo



Elis




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...

Queria poder dizer-te

Essa palavra maldita

Que faz perder o sangue

Mas enquanto o tempo

For pouco mais do que medos

Eu espero algures entre os teus dedos

O espaço certo para soletrar,

O teu sorriso

E a certeza do meu amar


Ana de Castro




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janeiro 18, 2005



(...)

Gostava de ser uma
borboleta...
Uma borboleta
para conseguir voar
entre as poesias,
entre as palavras sós e
tristes..

Queria ser uma borboleta
florescente...
Para que todos me
vissem cheia de alegria e cor.

Gostaria de pousar
no teu ombro,
fazer-te companhia,..
Ser amiga das horas mortas..

Queria ser borboleta;
Respirar apenas do azul
das pessoas,
Alimentar-me apenas
das palavras rosas..
Queria ser borboleta
e voar..
Voar ao teu encontro;
Fazer-te sorrir,
quando so sabes chorar;
Fazer-te cocegas no pescoço
para rires ainda mais...

Queria ser borboleta
de todas as cores
para ficares feliz e nao te sentires só..

Mas, borboleta não sou...
E estou do teu lado...
Anda, Sorri...

Sorri...

Lúcia

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janeiro 17, 2005

Divagação



Divagação


Mar meu companheiro
Das horas de solidão
Irás ter-me como parceiro
Moras no meu coração

No teu cantar permanente
Chamas-nos para junto de ti
Tens uma voz que não mente
Coisa igual eu nunca vi

Quando a tua voz enrouquece
Inspiras-nos muito respeito
Todo o Homem se emudece
E fica com uma dor no peito

Mas quando de novo te acalmas
E volta a tua voz sem dor
És inspirador de poetas
Que cantam o teu esplendor

E de uma forma amena
Vens-te na areia deliciar
Ela recebe-te serena
Para muito repouso te dar


José Rodrigues
(cantador)


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janeiro 16, 2005



Silêncio

Silêncio das palavras e ausência dos momentos.
Os sonhos acabaram, fica um imenso vazio.
Vivo uma meia vida que recordo com saudade.
Os momentos vividos com palavras amadas
Pertencem ao passado.
Vou reconquistar as palavras e os momentos
Para voltar a sonhar.



singularidade

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janeiro 15, 2005

Livros Com Papeis

A POESIA...

A poesia descreve-se cinza...
no sofrimento acamado na alma!...
A poesia descreve-se fogo...
na ilusão descrita em amor!...
A poesia descreve-se branca...
na insensatez duma tela morta!...
A poesia descreve-se negra...
no papel que se a recolhe... tenebroso!...
A poesia descreve-se na imensidão...
de todos os... sentires... insensatos!...
A poesia compõe-se nos sentimentos...
obscuros, malogrados, incapazes e inseguros!...
A poesia tem a poderosa força de...
receber no papel a nossa alma!...
A poesia é algo transcendente, e veloz...
cai na lama da rua, por entre pinheiros da
montanha, e acaba perdida num mar!...
A poesia é o que faz de mim sonhadora...
Ou jazida em qualquer recanto!...
A poesia... sou eu em abandono de mim!...
Poesia é... morte anunciada...!
Poesia, poema, poeta... loucos
Poesia são palavras escritas no inferno...
Lava que mata tudo o que cria...!
Poesia... poesia... poesia
Morro... em Ti...!


{{coral}}


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