fevereiro 25, 2005

Lúbrica



Mandaste-me dizer,
No teu bilhete ardente,
Que hás-de por mim morrer,
Morrer muito contente.

Lançaste no papel
As mais lascivas frases;
A carta era um painel
De cenas de rapazes!

Ó cálida mulher,
Teus dedos delicados
Traçaram do prazer
Os quadros depravados!

Contudo, um teu olhar
É muito mais fogoso,
Que a febre epistolar
Do teu bilhete ansioso:

Do teu rostinho oval
Os olhos tão nefandos
Traduzem menos mal
Os vícios execrandos.

Teus olhos sensuais
Libidinosa Marta,
Teus olhos dizem mais
Que a tua própria carta.

As grandes comoções
Tu, neles, sempre espelhas;
São lúbricas paixões
As vívidas centelhas...

Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais,
Que muitas bibliotecas!

Cesário Verde (1855 - 1886)



...Hoje passam 150 anos do nascimento de Cesário Verde, deixamos como informação que estes foram os últimos apontamentos sobre a vida de Cesário Verde, deixando-vos um pequeno diálogo:

Em 1886, para fugir à humidade marítima de Linda-a-Pastora e aos consequentes acessos de tosse e hemoptises, vai para Caneças, a dois passos de Lisboa, porém serra, clima seco. Silva Pinto e António Papança visitam-no. Cesário tem apenas 31 anos mas já perdeu as ilusões:
- Curo-me? Sim, talvez. Mas como ficou eu? Um cangalho, um canastrão, um grande cesto roto, entra-me a chuva, entra-me o vento no corpo escangalhado...
Resolve subitamente abandonar Caneças, fugir, fugir... Recolhe-se à casa de um amigo, junto ao Paço do Lumiar, às portas de Lisboa.
No patamar da escada José Anastácio Verde e Silva Pinto encontram-se, abraçam-se, choram.
A 19 de Julho, Jorge, o último dos irmãos, pergunta a Cesário:
Não quero nada. Deixa-me dormir.
São as últimas palavras do poeta.
No ano seguinte Silva Pinto colige os versos e edita O LIVRO DE CESÁRIO VERDE, 37 poemas, cento e muitas páginas, 200 exemplares.

Conhecido como o poeta da cidade de Lisboa, foi igualmente o poeta da Natureza anti-literária, numa antecipação de Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, que considerava Cesário um dos vultos fundamentais da nossa história literária.
Através de processos impressionistas, de grande sugestividade (condensando e combinando, por exemplo, sensações físicas e morais num só elemento), levou a cabo uma renovação ímpar, no século XIX, da estilística poética portuguesa, abrindo caminho ao modernismo e influenciando decisivamente poetas posteriores.

Penso em ti


Componho as palavras
acesas no teu Corpo
Um poema de AMOR
E com a voz cheia de Ternura
Recito os versos dos teus Membros
a doce rima da tua Cintura
As curvas dos teus contornos

Posso ir..
até ao fim do Mundo
onde o Ceu e a Terra se cruzam
voar numa Nuvem de branca penugem
Posso apagar o Sol
e apenas ficar com a Lua e as Estrelas
mas...
De que me serve guiar os Ventos sobre os mares sem fim
se não consigo guiar o teu Amor até mim ?


lunar_pond

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fevereiro 24, 2005

História de um amor afogado!



Naquela noite,
entre todas as noites
decalcadas,
as nossas mãos
disseram palavras,
sentimentos...
até coisas arrojadas!

A lua voava branca,
altiva,mais bela que nunca...
e eu quase lhe tocava...
Voavamos com ela...
Nela...

Depois daquela noite...
nada foi mais o nada!...

Depois daquela noite
mais noites se seguiram...
E já não era só na noite
que os nossos corpos se perdiam...
uniam...

era na tarde,e no dia...
na terra e no mar...

O amor que na terra se unia,
no mar se perdia...

perdi-me...
perdeu-se...!


fada_O

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fevereiro 23, 2005

Percorro os corredores

Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
E em todas as esquinas
Os versos desfazem-se gélidos!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Em busca de luz
Porque vivo da persistente escuridão!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Que vai estando inundado
De vazios que trago em mim!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Deixando que o silêncio
Me forre o corpo!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Cobertos do sangue
Que me gela nas veias!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Forrados com os jornais da vida
Tão imensa, e tão vazia!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Que nos foste criando
E obscuramente.. me perdi!
Percorro os corredores
Deste imenso labirinto
Perco-me nas paredes feitas de palavras
E arrumo o corpo a um canto!

{{coral}}
22/02/2005

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fevereiro 22, 2005

Linda donzela
vestida de branco
desabrochas
como uma açucena
em teu doce sorriso
pronta para amar.

O amor é mágico
o amor é medo
o amor é dor.


Sentimentos adormecidos
que despertam no coração
és um ser despido
diante da vida

Sedenta de amor
fascinada pelo desconhecido
desfolhas as páginas de um lírio

Tua alma sorri
renasce a tua alegria
antecipas o teu nascer.



singularidade

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fevereiro 21, 2005

Justiça





Constituí-me única arguida
do processo a mim instaurado.
Interroguei-me dias a fio.
Fui a minha única acusadora
e quando me quis defender
descobri que somente eu
aceitava meu próprio caso.
Levei-me a julgamento sumário
onde testemunhei contra mim
e abonei o meu carácter.
Multei-me em guias de silencio
por desrespeito a todas as regras.
Considerei provadas as acusações.
Pedi para mim a pena máxima
(considerei quais as agravantes
ponderei todas as atenuantes).
Finalmente proferi decisão
condenando-me (in)justamente
á pena perpetua de te amar.
Não recorri!



Anna Camarra
[No] Poet

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fevereiro 20, 2005

Queria poder...



Queria poder escrever qualquer coisa mais
que estas palavras sem sentido...
Mas as mãos tomam vida e percorrem o papel
com vontade própria e nele desenham viagens
que não quero fazer. Não quero ler as palavras
que a tanto custo guardo no coração.
Ainda assim, como se uma presença demasiado
superior me negasse a benção de não conhecer
as ânsias que me habitam os rasgos
que me nasceram na alma.
Queria poder criar algo mais puro, mais belo
que estes lamentos amargos de um corpo
que tão bem conhece o negrume da noite.
Queria poder cantar a poesia milagrosa.
Ainda assim, tudo o que me nasce dos dedos
é torto e imprestável, lágrimas imprestáveis
da minh'alma mirrada.


silvia
fairy_morgaine

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fevereiro 19, 2005



Porque não disseste que o mar era só teu?
Que as ondas eram tuas?
Que só tu cabes no céu?
E que todas quatro te pertencem: as Luas?

Porque não disseste?

Sabendo disso
Nunca me atreveria
Mesmo que tu quisesses,
A escrever-te poesia.



RuiVic

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fevereiro 18, 2005

Cada momento .. que penso!




Cada momento que penso
Cada frase que escrevo
Cada palavra que digo
Cada dor que tenho
Tem um simples significado .. Tu!

Embora não pareça
Embora não o demonstre
Embora não queira acreditar
Embora não to diga neste momento
Nunca deixei de te amar!

Tenho saudades de estar contigo
Tenho saudades dos momentos que passámos,
Tão juntos..
Tenho saudades de te sentir
Tenho saudades de tudo isto
E tão principalmente.. do teu Ser!

Ser esse que me causa ...
Dor, raiva, saudades, e pensamentos tão estranhos!
Cada momento que penso...
Tem um simples significado.. Tu!


Patricia Rolão Farinha
[[Luana]]
Maio/2001


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fevereiro 17, 2005

SENTIR A MÚSICA ESCUTANDO O SILÊNCIO



O silêncio
Estou escutando
A música sentindo
Percorrendo paragens
Sem margens
Nem fronteiras
Para eu poder espraiar
O pensamento
Que a voar
Me impede de gritar
A música que sentindo
Me recorda pedaços
Doces pedaços
Que em meu odor mastigo
A saborear
O paladar

Assim sinto a música
Escutando o silêncio
Como um verso de balada
Que não adormece o meu olhar
A espraiar


Teresa Ressurreição
11-02-2004

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fevereiro 16, 2005

Dor



Acorda ,dor mortal das entranhas do tempo
viajamos juntos neste destino camuflado ,vida
percorremos Km em vão na procura de momentos
suicidamo-nos apenas por não termos coragem de a enfrentar
situamo-nos aqui entre a paz.............que fazer
sem guerras nem pecados para eu padecer

Acorda ,dor imaculada que o tempo ........o tempo
aqui na luz que apagamos entre o desespero
e iluminamo-nos num ventre de ilusão
sinto-me perdido ,porque não sei o que quero
situamo-nos aqui perto de uma saída
mas sem coragem de pôr fim à solidão.........



De mim para ti


<}ThePoet{>

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fevereiro 15, 2005

Os dias passam...



Os dias passam
serenos e iguais
o pensamento esse vagueia
pelas ruelas da memória

Uma luz se incendeia
e a tua visão aparece
é como se nossas almas
se encontrassem...

Mas o pensamento cai na realidade
e tão rápido como a luz que se incendiou
a escuridão chega..
e eu fico só

já nem as memórias chegam


tucas

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fevereiro 14, 2005

Quase um poema de amor



Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.


Miguel Torga

fevereiro 13, 2005

Vocábulo



Há coisas que não sei dizer
Por ter medo de as sentir
Outras levam-me a crer
Que não sei me exprimir

Há palavras fortes demais
Que nem sempre são entendidas
Com sentidos iguais
Mas doutra forma definidas

Há figuras de estilo
E também subterfúgios
Há o NÃO tranquilo
E o NÃO tipo refúgio

Há o SIM descarado
O SIM tímido, cauteloso
O TALVEZ bem aplicado
O NÃO SEI criterioso

Há as falsas interpretações
Palavras com duplo sentido
Trocam-se as pontuações
Está tudo confundido

AMO-TE é presente
AMEI-TE é passado
Embora, infelizmente
Seja falsamente usado

Um SEI LÁ bem dito
Pode a tudo responder
Pode não ser muito bonito
Mas sabe-se o que quer dizer

Duas palavras maravilhosas
Que muitas portas podem abrir
PUXE se vai a entrar
EMPURRE se vai a sair

Não esqueço porém
Aquelas de boa educação
SE FAZ FAVOR tem
OBRIGADO na finalização

NUNCA é palavra feia
Ninguém a deve dizer
Soa a algo que se odeia
Ou que não se pode fazer

Não me quero alongar
Deixo esta recomendação
Tenham tento nas palavras
Para não criar confusão


kuasivocábulo

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fevereiro 12, 2005

...

Olho através da janela o horizonte que se me apresenta
e prolongo-o até ti...
Levo o vento que passa à minha frente para a tua janela;
levo o céu, as nuvens, com as formas que apenas aqui se vêem.
Levo as pessoas que passam agora por debaixo de mim,
levo o barulho dos seus passos e a própria calçada que pisam.
Levo todas as casas que consigo ver, todas as árvores,
todos os cheiros, todos os sons, todas as imagens... Até chegar a ti.
Era isto o que via através da minha janela mas neste momento vejo muito mais...
Consigo avistar-te algures, à minha espera, desejando saber o que via naquele momento
e eu mostrei-te o som do vento, o azul do céu, as formas das nuvens,
as pessoas e como andavam, mostrei-te o barulho dos seus passos, a calçada,
todas as casas e todas as árvores...
Isto era o que os meus olhos me permitiam ver mas não o que eu realmente queria
pois não é o que vejo quando penso em ti, quando na minha mente estou contigo...
Nesses momentos, se me perguntarem...
O vento não passa, faz simplesmente parte de mim,
sinto-o em todo o corpo e voo com ele.
O céu não é o mesmo, nem azul ele chega a ser mas
uma mistura de cores do nascer com o pôr-do-Sol.
As nuvens, têm neste momento a forma dos meus sonhos
e não existe ninguém além de nós.
Não há o barulho dos passos na calçada pois, simplesmente, a calçada não existe.
Não há casas que nos limitem o horizonte ou arvores que nos façam sombra...
Não há terra, nem mar...
Quando penso em ti, além de nós só existe o vento e o céu.
O vento para nos levar, o céu para nos perder...


Eva Mestre
14.09.03




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fevereiro 11, 2005

Hoje



Lá fora o vento soprou forte durante a tarde,
Pareceu-me.
Vi-o pela janela
Mas não o quis sentir no corpo.


Enquanto lá fora o lixo voava pelo ar
Cá dentro os meus pensamentos solitários e doridos
Tentavam sair de casa,
Queriam apenas uma lufada de ar fresco.


Mas o meu corpo hoje adormeceu,
Não responde a qualquer estimulo exterior,
E os pensamentos já quase delirantes
Não tiveram alternativa a ficar junto de um corpo
Que aos poucos volta ao normal.



[M]orcego

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fevereiro 10, 2005

No meu livro de sonhos



Sonho que me chamas,
como se tivesses rosto e voz.

Tu único que me amas,
com um sorriso que se esconde,
no encanto de tantos anos.

Só tu me iluminas,
meus sonhos são profetas de encantos.
De emoções repletas de desejos.

Pois tu conheces o meu perfume de cada página,
sem mistérios, sem tabus,
sobre este horizonte que me fascina.

Algo para lembrar ou para esquecer?

Transmite-me,
ouço um som, um sinal da memória,
meu coração está virado para o amor.

O silêncio que me rodeia é genuíno,
é brilhante, é passível de sonho
És o calor do meu corpo.
O meu sonho de felicidade com palavras.

Brilha a voz do amor e da razão.
E pelo teu amor redimo o teu pecado!

É por ti que hoje canto,
és a mais doce mensagem,
de todas as musas criadas

És a pegada que me marca,
uma escada que vou subindo.

És um beijo meu.
Haverá algum astro que amanhece,
Como um hino apaixonado ?



Andy
lunar_pond

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fevereiro 09, 2005

Olhar de menina



Que olhar de menina
tão doce e singelo tal como o de uma boneca
Não, essa boneca! Mas sim aquela que acompanha os contos de fadas
Tão doce que é esse olhar!
Mas esse olhar de menina cresceu
hoje já não és essa menina doce…
És uma mulher trabalhada pela vida
em vez de o olhar singelo de menina
em ti predomina o olhar de menina esquecido
Tão tristes que são esses teus olhos!!
Essas pedras azuis esverdeadas filhas do poderoso mar
Onde uma esperança tranquila espreita
No fundo, olho
Não vejo azul mas sim uma nuvem negra
essa que te corrompe, que esconde esse azul mistura de verde
O olhar que te ilumina hoje é esse mesmo…
Negro.. simplesmente negro mas no fundo com sorriso de menina
Vou embora e deixo-te sozinha, volto mais tarde e olho para ti
E o que vejo?!
Uma menina com olhar de infância esquecido
num corpo de mulher desabrochado pela vida …


amorazinha
Ana Moreira

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fevereiro 08, 2005

PERMISSÃO II



Deixa vir o sol,
o canto das aves, o barulho das águas
a bruma dourada na manha morna!
Deixa vir o dia,
te farei versos...
Te servirei vinho em taças de ouro

E não permitirei que nenhuma
sombra escureça a rosa branca
das nossas almofadas de seda.

© Quisera

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fevereiro 07, 2005




Mais do que um pensar, mais que um corpo
O que fomos nós noutra vida
O que fomos antes da alma renascida
Antes de te ter assim perdida

Fomos os amantes eternos
Ou apenas os que sorriem
E passam...

Fomos a chama que arde
Ou apenas duas luzes
Que se apagam...

Fomos tudo
E tudo nos pareceu pouco
Por isso renascemos...
Por isso vivemos...

Fomos amor imortal
O sorriso mais belo
A chama mais intensa
A luz que ilumina os que desejam

Não importa quantas vidas
Espero por ti
Quando vens?
Não demores...


João Araújo

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fevereiro 06, 2005

Mulher abismo



Eu estou triste, não por mim...
Estou triste por alguém de outrora.
Agora é uma mulher que chora...
Triste... tão colada ao seu fim...
Uma mulher que foi tão bela,
Do tempo suspensa em sorrisos,
Antes mulher de saúde sem vícios
Bonita com princípios e singela.
Daquele tempo restam resquícios,
Hoje perdida, um mísero farrapo...
Mulher de asco da lama chafurda,
Drogada tão triste, apenas um trapo...
A vida fez dela uma puta.
Exaurida a sua vida que tem sida...
Que de mim ri com cinismo...
Lágrima no meu olho rola viva,
Mas está perdida sem saída,
A droga foi o seu Abismo.

Assin: Artur Rebelo


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fevereiro 05, 2005






Tudo isto que aprendi
Foi nódoa que conheci
Pelo triste caminhar...
E p´ra dizer a verdade
Já não tenho a vontade
De um dia cá voltar...
És o passado que espera
És a dor que desespera
És tudo o que não é meu.
És paixão que desatina
És a água cristalina
Que no monte se perdeu...
Secas o meu sentimento
Peço-te mais um momento
Para poder entender...
Reconheço que errei
Mas só a ti te mostrei
O que não pudeste ver...
E agora fico assim
À espera do teu fim
Serás meu quando findares...
Enquanto vivo estás
Eu morro no que me dás
Sem tu te acreditares...


Aster




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fevereiro 04, 2005




Sem avisares
entras subtilmente
e pintas as almas de negro
aninhas-te nos corações desalentados
deixas marcas nos rostos amargurados.

Embalas ao som dum violino surdo
Apagas a luz do dia
almas mergulhadas na angústia
medo e aflição.

Sugas as lágrimas salgadas
alimentas-te da escravidão.

Lutamos contra ti
e rasgamos-te por fim
es uma teia envolvente
da tristeza e da solidão.


singularidade

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fevereiro 03, 2005



PALAVRAS
As palavras quando ditas
Têm sempre destinatário
Poderão também ser escritas
Cuidado com o vocabulário

O significado que têm
Vem escrito no dicionário
Mas nem sempre elas têm
Um poder revolucionário

Acontece que por vezes
E sem qualquer intenção
Dizemos o que não queremos
E perdemos a razão

No amor isso acontece
Com muita facilidade
Não deixes que por elas comece
O fim de uma realidade

O seu significado
É deveras importante
Mas nem sempre o cuidado
É preocupação constante

Por isso toma cuidado
E quando a boca abrires
Pensa no significado
Para não desiludires

José
13 de Novembro de 2001


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fevereiro 02, 2005

Criança autista



um sopro
quase que mágico
entra pelo corpo
dolorido, doente
gasto


Um sorriso
doce e meigo da pequena criança
{autista
basta para respirar
levemente
Um sorriso puro
sem maldade
basta para que as dores suavizem

um ruído
um estrondo
um enorme clarão
o sorriso desaparece
as almas embatem contra as paredes
desnorteadas

uma melodia aconchegante
envolve-me
elevando-me à criança
cujo sorriso desvaneceu

pego-a pela mão
pouso-a sobre o meu peito
onde o coração bate lentamente
com dor
sob muito esforço para continuar a bater

uma caricia no seu rosto
e um sorriso recomeça a brotar
uma melodia que escapa entre os meus lábios
e um enorme sorriso mágico, brilhante!,
renasce com toda a força no seu rosto de criança inocente

o meu coração pára
a alma flutua pelos céus
o meu olhar ficou para sempre guardado
na delicada mão daquela criança

Dei a minha vida
para a criança
que apenas uma semana lhe restava para
esconder o seu sorriso

Agora, sorrirá para sempre

Para todo o sempre


Rose

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fevereiro 01, 2005

Hoje quero ver-te de azul



hoje quero ver-te de azul
inteiramente azul, sem regras, intenso
neste dia frio que nos morde os ossos

quero ver-te na hora incerta da tarde
no equilíbrio da densa luz marinha
onde não existe espaço na cidade

não fales, toca-me com o teu olhar
como as ondas de um mar revolto
envolve-me numa ideia lacerante

hoje quero ver-te de azul
transformado em palavras de múltipla aparência
constante entre mim e o risco
sem o trono do silêncio

hoje quero prender-te em mim
de azul

l.maltez


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