abril 30, 2005

A dor Caminha entre nós (4)

Diz o que sentes agora?
"Mulher" vádia que se demora
nas entranhas de um corpo
duma alma que chora
duns lábios que gritam calados
palavras que parecem gelados.
Coisa pequena pela enormidade
Do ser e do poder da maldade
que me fazes e distribuis
não só neste corpo despedaçado
Mas pelo mundo, por ti amaldiçoado.


Diz a verdade. O que sentes?
"Mulher" bicho sem coração
Que nos vestes as veias de solidão
cobres o corpo de terra preta
Reflectindo um nada no chão
Que nos segura a parte abandonada
Por ti, "mulher" tortura... enfeitada
pelo brilho da nossa amargura...
E nos joga no abismo mais alto
e ainda sorri e pede: - Dá um salto.


Sei que não respondes agora
"mulher"; demónio que não chora.
Sei que nada me dirás
mas sei onde te escondes e estás...
Aqui entre nós, que te sabemos
fraca para falar e para dizer
a verdade que já conhecemos
és dor... és "mulher" e...
nós aceitammos e recebemos
o teu silêncio que entendemos ser
a tua forma de sofrer sem falar
pois sabes que te vamos matar...


Catarina Alves/m0rena23

abril 29, 2005

A Dor (3)




Chegaste ao pé de mim
E ofereceste-me a dor
Que vivia em ti
Só por não teres amor.

E eu abri a minha mão
E aceitei o teu presente
Logo essa dor entrou
E o meu ser ficou doente.

Fiquei entregue ao meu leito
Fiquei sem vida, sem razão.
A dor que me deste destruiu
O meu doce coração.

E agora diz-me tu
O que vai ser de mim?
A tua dor já é minha
E parece não ter fim...

E agora diz-me tu
O que faço com a agonia
Que perturba a minha alma
E me faz sentir vazia?

aster

abril 28, 2005

Dor de saudade (2)

Dor

Saudade, sinto daquele irmão
Querido que tanto meu deu a mão
Que me fez ver a vida
Cheia de angustias e feridas

A dor de saber que não estás
E recordando a vida de trás
A dor de perceber que partiste
E eu fiquei sentida e triste

Recordo tua alegria
Recordo tua folia
Em que tu nos fazias viver
Para a vida poder vencer

Choro de dor e saudade
Mas recordo com carinho e amizade
O irmão querido que foste
E que nunca do meu coração partiste


Marisocas

abril 26, 2005

A dor caminha em nós (1)

A dor caminha em nós
E leva-nos a desfalecer
Mas há sempre uma voz
Que nos chama para viver

Há sempre a voz de alguém
Que nos clama sem parar
Ainda é cedo para o além
O tempo agora é de amar

Há sempre uma possibilidade
De a dor, conseguir vencer
Dar sempre muita amizade
E a amizade saber receber

Mas como a vida é dura
Não conseguimos responder
Apesar de tanta ternura
A forte dor faz-nos sofrer

A dor caminha em nós
E quando nos consegue vencer
É porque estamos muito sós
Porque deitámos tudo a perder

Turista

abril 21, 2005

... (10)

Já pensei em calar-te
Com a ponta da minha língua
Que grita pela tua
Mas o silêncio faz por mim
O que meu corpo parece saber
E como-te a noite inteira
Só eu e o teu silêncio
Agora diz-me
Queres falar?

Elis

abril 19, 2005

Não fiz barulho... (9)


É dor de amor...
Sinto o silencio dos nossos corpos,
Sinto a estrada do nosso tesão,
Faço do meu ódio o aborto
Que busca a mudez da escuridão...
Quero chorar sem suspiros,
Quero gritar sem som audível,
Quero te amar sem líquidos,
Quero o teu silêncio sensível,
Esse silêncio que o sentes...
Meus olhos doentes
Do orgasmo da vida,
Buscam os teus intermitentes,
Cálice duma tristeza conhecida...
Minhas unhas rasgam tua carne,
E acabas com o silêncio...
Porque gritas?
Apenas te penetrei,
Com as unhas hirtas,
E fiz sangue que adorei...
Profanamente teus olhos assim
Entraram por mim e acusaram,
A virgindade que te roubei...
Um segundo passou,
O lamento abrandou rarefeito,
Sabes apenas o silêncio ficou...
Nem isso ficou, escuto a tua lágrima
A cair no meu peito.

Assin: Artur Rebelo

Todos os direitos de autor reservados

abril 17, 2005

Grito em silêncio (8)

Vivo em silêncio
Escondendo o que sinto...
Guardo cá dentro ,surdamente,
Um imenso sentimento...
Sofro de boca selada,
Gritando calada ao infinito...
Sozinha,
Onde ninguém me consegue ouvir!
Espero em vão uma resposta .
Quando poderei quebrar o silêncio ?
Gritar ao vento o que sinto e o que penso...
Ser EU
E deixar que dos sons
nasçam gritos na minha boca!
Gritar que amo
Amo a vida e a liberdade...!
Gritar...
O grito sem saudade!


Rafaela

Todos os direitos de autor reservados

abril 16, 2005

Sobre esse silêncio… (7)

Eu tentei escrever diferente
Alguma coisa ainda ausente.
Que fosse mais que uma letra
Ou uma palavra novamente escrita;
Que brilhasse como um cometa
E no silêncio pudesse ser dita…

Mas fiquei apenas pensando…
E escrevendo mil conjunções,
Nenhuma de perfeitas ilustrações
(Como esta tentativa…
Que me parece elucidativa)
Apenas criei falsas ilusões…

Porque escrever sobre algo
É sempre complexo…demorado;
A menos que exista alguma luz,
Algum pensamento já criado…

Eu não sabia o que fazer
Deste silêncio que queria meu
Que partilhado com os vossos
Poderia criar um pequeno céu…
Estrelado… iluminado…acabado.
Porque tudo o que é incompleto
Falta o suficiente para se ser triste.
E tudo o que acaba,
Teve tudo aquilo que já não existe…
Mas teve o momento perfeito
Para ser meu…do meu jeito.

Como este silêncio, agora;
Imperando neste quarto;
Apenas falando comigo
Enquanto fico e não parto…
Porque eu vou embora
Assim que o souber incompleto
Antes que perca a sua beleza
E seja triste com o fim tão perto…

Com o silêncio…
Apenas quero fazer amor.
Não saberia fazer mais nada
Que tivesse início, fim e sabor…
Por isso aqui fica o resultado
Duma noite que aqui acaba
Num mar de silêncio suado
Por ter feito amor desesperado
Nesta folha toda riscada
Pela algazarra da noitada
Que de silêncio veio mascarada
E agora é poema…apenas e mais nada.





Catarina Alves/m0rena

Todos os direitos de autor reservados

abril 15, 2005

Silêncio!... (6)

Num silencio profundo
mergulho num mar de recordações
então gela-me o coração
ao pensar naquelas almas em silencio
Aos gritos sofucados
nas mentes enfraquecidas
nas vozes confinadas
e até mesmo nos seres revoltados
Naquela manhã primaveril
o sol brilhou
as flores dançaram de mão em mão
Renascia uma Esperança
de um precioso silêncio.

singularidade

Todos os direitos de autor reservados

abril 14, 2005

Pergunto ao silêncio (5)

Pergunto ao silêncio
O que me separa do mundo
Mas ele não fala.
Nada me diz
E na calma da noite
Pega em mim como quem embala.

Adormeço nos braços
Do silêncio profundo
E desmaio nas asas
Do seu pequeno mundo.

Nada ouço,
Nenhum som profere...
Envolve-me a calma
E fico assim embalada
No berço que a noite me dá
E adormece-me a alma...

aster

Todos os direitos de autor reservados

abril 13, 2005

Que te faço… silêncio. (4)

Oculto-me nestas palavras,
Sobrevoadas por minutos distantes,
Em que tu interrompes sinistramente,
Nos meus passos,
Mediante brumas incomodadas,
Por lágrimas andantes,
E arrepios de perdão em tua mente.
Olho em volta,
Para além dos sonhos perdidos,
Deparando-me contigo nos meus olhos,
Enregelado nos meus lábios selados,
Enfardado na minha inspiração sufocante,
Para te tocar em gestos solvidos,
Em plumas cantantes,
Que me iludes,
E me fazes pensar.
Que te faço, se tu me calas a boca,
Com razões cúmplices,
Daquilo que mais ordenas,
Onde transformas águas mansas,
No veneno que mais odeias,
Para tornares-te inocente,
E caíres aos meus pés redundante,
Fazendo-me cego da tua pena.
Oculto-me nas tuas palavras, silenciado;
Perdido nas horas do tempo,
Em que não te perturbo por clemência,
Desta dor que sinto, de não te magoar.
Que te faço então silêncio,
Se dominas meus actos,
Meus traços e atitudes,
Para que não morras,
Como pobre pedinte das lembranças.
Fiz-te rico amante da minha sombra,
Carreguei-te nos meus doridos braços,
Em busca de um som esperado,
Que sempre me escondias,
Porque muito me amas-te,
E agora copulado,
Melindrado,
Aqui, onde me deixas-te abandonado,
Pergunto-me, que te faço silêncio.

Vítor Zarro (03/04/05)

Todos os direitos de autor reservados

abril 12, 2005

... (3)

Por de trás de cada verso
está uma mistura de areia e lágrimas,
silêncio oco e doloroso,
ou mineral brilhante que
desenha o teu corpo na noite

no vento esculpi o teu rosto;
no mar teci teu odor,
nos diamantes, o teu silêncio achei

bebo as tuas cicatrizes para não te doer
mergulho na tua angustia para não chorares

Sou o teu silêncio a partir de hoje
Sou o silêncio que construi para ti

Um silêncio apaixonado
um silêncio magoado

Um silêncio de amor


Rose

Todos os direitos de autor reservados

abril 11, 2005

O QUE FAZER DO SILÊNCIO? (2)


Abro os olhos e sinto o silêncio..
O sol entende-se a tudo
Porque a chuva se recolhe
No silêncio dos dias!
Abro os olhos e escuto o silêncio..
Aquele silêncio entre os ecos
Das palavras isentas do teu pronunciar!
Abro os olhos e vejo o silêncio..
Aquele silêncio que escorre
Nas paredes onde deixaste
Os teus gemidos, Amor!
Abro os olhos e faço silêncio..
Porque já passei por tantos silêncios
Que vou guardar as palavras
Num baú com asas! E,
Vou sonhar..
Que deixei os silêncios
Quando o eco de ti me chegou
E gravou nas paredes do quarto
A palavra cantada,
Saída dos gemidos da viola
Naquele acorde encantado
De um «AMO-TE»!
Mas só não isso não me chega
Para eu deixar este silêncio
Que me acompanha..
Que me rói,
Que me dói,
Que me trespassa!
O que fazer deste silêncio?
Não sei…
Talvez pense gravá-lo definitivamente
No eco daquela tua última palavra
«Adeus»!
Silenciosamente..
Abro os olhos…seco as lágrimas
Deslizo o lápis pelo papel
E,
Acabo o poema!

{{coral}}
29/03/2005

Todos os direitos de autor reservados

abril 10, 2005

Silêncio (1)

O que fazer do Silêncio?
Aquele que não tem hora
Do qual sempre me penetencio
Não sabendo nunca onde mora.

O Silêncio que nos amarra
Que nos põe sem respirar
Mas muitas vezes nos apara
Mágoas de não poder amar.

Ele fere como uma seta
Apontada ao coração
Muitas vezes ele é a meta
Para o final de uma paixão.

Mas, Ele é também aquele
Que nos chega na hora final
Nunca saberemos se foi Ele
Que nos deu o último sinal.

Mas no meio do Silêncio
Onde nada se está a ouvir
Existe um toque do Silêncio
Em que se vêm outros partir.

Turista

Todos os direitos de autor reservados

abril 09, 2005

O que é o Tempo (10)


O que é o Tempo
quando tudo o que quero
é um momento infinito de ti
deitado no meu regaço?

O que é o Tempo,
quando nas minhas mãos nada mais perdura
senão teu nome,
néctar divino, proibido,
amaldiçoado.

O que é o Tempo...
Perguntas-me tu, faminto,
enquanto me seguras e me
devoras, uma e outra vez,
num tempo sem tempo
em que sou tua...
Numa nesga perdurada da vida.

silvia (fairy_morgaine)

Todos os direitos de autor reservados

abril 04, 2005

Falta-me tempo! (9)

Example

Falta-me o tempo...
aquele que ecoa entre as quatro paredes
das velhas capelas,
aquele que ficou perpectuado
pelas palavras que só o vento carrega na boca!

Já me faltam os dias,
que ás vezes parecem anos,
para ser um sorriso real...
E as horas que não passam neste relógio surreal!

É esta vida rodaviva
que nos faz querer andar ao contrário do relógio...
viver no passado
e ter por certo ,
o mais certo,
ante um futuro incerto!

È tudo uma questão de tempo!..
ou de relógio!

Eu comprei o meu na loja do chinês...
daqueles bem baratos!
E para meu espanto,
e talves alento,
os seus ponteiros andam ao contrário!

No fundo é tudo uma questão de tempo!
Ou de não se ter relógio!...

Rafaela

Todos os direitos de autor reservados

abril 03, 2005

Descobri a beleza do tempo... (8)

Tempo

Que o tempo venha e me cubra,
Curto o tempo que aqui jaz,
Pedaço a pedaço o tempo fura,
O que por direito é teu, só teu...
A imagem do amanhecer voraz,
Na urgência do instante meu,
O Tempo balança lentamente audaz,
E tu que me enfrentas sem pudores,
E tu inteira, tão ligeira aqui não estás...
Escondo o medo dos teus valores,
Que o tempo venha e me cubra,
Tempo cobre-me sem dores,
Por ti esqueci o que ficou para trás,
No instante quero-te linda e pura,
Desejo que palpita em amores...
Aqui e agora só tu me dás....

Assin: Artur Rebelo

Todos os direitos de autor reservados

Que o Santo Padre repouse em paz, que merece a paz eterna por tudo o que fez pela humanidade.

_________________________________


envolto num lençol de cal duas cintilações
sobre as pálpebras húmidas e um ardor perfura
a noite onde uma ponte atravessa um rio

o voo é demorado
ficaste a saber que nem deus é eterno
desfez-se no erro daquilo que criou perdeu-se~
nas suas imperfeições e certezas

agora
pela janela do avião vês como tudo é mínimo
lá em baixo- quando a oriente da loucura
a mão cinzenta do inverno perdura no rosto
daqueles que sonolentos viajam dentro
deste peqeuno túmulo de serenidade

Al Berto
de Horto de Incêncio
Compilado na Obra: O Medo

abril 01, 2005

... (7)

É a forma suave com que teus olhos me beijam
O nascer do dia nas manhãs frias de outono
O cheiro da tua pele enquanto dormes
A tempestade acolhedora de um dia cinzento
Isto é tempo, aquele que não se esquece
À medida que as veias envelhecem
E o sangue já gasto, nos faz sorrir...

Ana de Castro

Todos os direitos de autor reservados